E não é que a temporada está ótima?

Começo este post sem ter uma base específica. Poderia dizer que após duas corridas surpreendentemente boas – em pistas que não permitiam essa expectativa (principalmente Barcelona) – chegamos a Mônaco com um dos GPs mais legais, tensos, emocionantes, eletrizantes e quentes do ano, coroando a temporada 2011 como uma das mais disputadas dentro da pista, mesmo com o resultado sendo (quase) sempre igual: Sebastian Vettel vencedor, líder e cada vez mais consolidado como um dos grandes pilotos da F1 atual.

Neste domingo, segurando Fernando Alonso (Ferrari), que tinha Jenson Button (McLaren) serpenteando a disputa, o alemão da Red Bull, com os pneus macios da primeira parada, na volta 16, manteve a primeira posição com bravura, bom braço e excelente carro – isso a quase vinte voltas do final. Ou seja, o atual campeão mundial estava a mais de 40 laps sobrevivendo a uma parada só.

Mas a prova em Monte Carlo não teve apenas a indecisão sobre o vencedor da corrida, com a disputa entre os Top 3 tanto na estratégia de pneus quanto na pista. O domingo foi bem divertido, com alguns acontecimentos que merecem destaque.

Depois de uma corrida difícil e sob pressão de Alonso e Button, Vettel tem muito o que comemorar.

 Lewis Hamilton impossível

O piloto inglês da McLaren largara em nono e logo fora ultrapassado por Michael Schumacher (que estava na quarta posição e não fizera uma boa largada). Porém, o campeão de 2008 não se deixou abalar e perseguiu o alemão até ter a oportunidade de passá-lo quando ele abriu a guarda. O piloto da Mercedes até tentou defender a posição, espalhando o carro em cima do britânico, mas Hamilton respondeu na mesma moeda e seguiu sua caçada.

Algumas voltas depois, a vítima foi Felipe Massa (Ferrari). O brasileiro segurou o ímpeto do inglês até onde pôde, mesmo com as tentativas de ultrapassagem de Hamilton serem arriscadas demais – a exemplo de uma tentativa na curva Loews que causou uma pequena colisão entre os dois carros e depois, uma punição para o piloto da McLaren. No túnel, até aconteceu a ultrapassagem, sem nenhum aroubo exagerado, porém Massa acabou saindo pela parte suja da pista e quebrou a suspensão, saindo da prova.

Após a punição, a entrada do Safety Car (Schumacher também abandonou a corrida e a sua Mercedes ficou no meio da pista) e o retorno ao funcionamento normal do grande prêmio, Hamilton procurou nova vítima: Pastor Maldonado (COL), da Williams. Mas não teve tempo de pressionar o novato – na parte final da corrida, outro SC entrou (desta vez por conta do acidente com Vitaly Petrov, da Lotus-Renault, que não conseguia sair do carro e deixou o circuito de ambulância), e a prova teve que ser interrompida. Com o recomeço do GP, Hamilton perseguiu Maldonado até conseguir passar o colombiano; não sem antes tocar o carro do piloto e logo depois, Maldonado sair da corrida. O inglês terminou a prova em sexto lugar (até o momento, porque ele era investigado por conta do incidente).

Lewis Hamilton estava num dia mais "Nigel Mansell" do que "Ayrton Senna".

O jogo de xadrez chamado pit-stop

O número de paradas quase decidiu o destino de Sebastian Vettel na corrida. No primeiro stint, os Top 3 já citados pararam quase que de forma seguida: Jenson Button primeiro, pôs pneus super macios, o que denotava a estratégia de 3 pits para o inglês. O alemão da Red Bull – que quase se encrencou no GP, pois a equipe demorou na sua parada e na do companheiro, Mark Webber (AUS) – colocou um jogo de macios; enquanto Fernando Alonso também pôs macios.

Por conta do erro no pit, Vettel perdeu a primeira posição e viu o inglês aumentar a diferença entre eles com voltas rápidas. Porém, os pneus de Button começaram a desgastar, e a vantagem entre ele e a RBR começou a diminuir. Logo, o campeão de 2009 fez a segunda parada (colocou jogo de super macios) e perdeu a liderança para o alemão; e Alonso, espertamente, fez seu segundo pit antes da entrada do Safety Car. Vettel continuava na pista.

Mas o desgaste dos pneus da escuderia austríaca se faria sentir. O asturiano, com o carro mais inteiro, começou a pressionar o alemão, mostrando que poderia ganhar a liderança e a prova. Button, que havia parado pela terceira vez e estava com pneus novos, ficou em terceiro lugar, e logo se aproximou da dupla que disputava a primeira posição. Vettel se viu em posição difícil: ter que segurar o ímpeto de Alonso e ainda tinha o britânico na sobra, esperando o próximo movimento.

Para sorte do “alemãozinho voador” (sorte de bicampeão?), o segundo Safety Car e a consequente interrupção da prova possibilitaram a troca de pneus que Vettel não desejava fazer antes da parada forçada. Com um jogo novo e o carro equilibrado, bastou a Sebastian manter a distância dos rivais e correr para a vitória em Monte Carlo.

Fernando Alonso teve desempenho irrepreensível em Mônaco. A vitória só coroaria uma temporada em que o piloto é muito melhor que seu carro.

Desempenhos que valeram a pena

Kamui Kobayashi conseguiu a melhor classificação da carreira em Mônaco, com um quinto lugar importante, após uma estratégia acertada de uma parada só (como sempre a Sauber ousando nos pits). O único representante da escuderia na prova (Sergio Perez sofreu um acidente no treino de sábado e não pôde correr) participou de ultrapassagens e foi destaque com seu arrojo habitual.

Rubens Barrichello chegou em nono e conseguiu os primeiros pontos da Williams na temporada 2011. Vale ressaltar a disputa de posição com Michael Schumacher no início do GP, em que o brasileiro conseguiu passar o heptacampeão no final da reta principal (a reta de chegada) e o alemão novamente tenta imprensar o ex-companheiro, mas Barrichello segurou bem e seguiu em frente na prova.

Koba-Mito mostrou arrojo, competência e mais uma vez, estratégia nada usual na corrida. O japonês é bom demais.

Não valeu a pena

Felipe Massa, apesar de defender a sua posição na disputa com Lewis “Mad” Hamilton na pista de forma que os telespectadores poderiam esperar um grande trabalho do brasileiro em Mônaco, acabou abandonando a prova. Mas ao menos ele conseguiu protagonizar outro bom momento nas ruas de Monte Carlo: a ultrapassagem sobre Nico Rosberg (ALE, Mercedes) na primeira parte da corrida, após uma perseguição ostensiva que durou várias voltas. Porém, não foi suficiente para perceber alguma grande evolução em sua pilotagem – ou alguma gana, de fato, de correr em alto nível e ganhar.

Melancólica corrida de Felipe Massa, apesar das esperanças iniciais. Como entender a queda de rendimento tão flagrante de um piloto que parecia ser o sopro da renovação brasileira na Formula 1? A mola? O incidente em Hockenhein?

A próxima parada do circo da Formula 1 é em Montreal, no Canadá, daqui a duas semanas, 12 de junho. Se Mônaco, que nunca foi uma corrida de fortíssimas emoções, teve conversa e polêmica para uma semana inteira, imagine na terra do Gilles Villeneuve, onde em 2010 tivemos uma das melhores provas do ano?

1 – Sebastian Vettel (ALE/RBR-Renault)
2 – Fernando Alonso (ESP/Ferrari)
3 – Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes)
4 – Mark Webber (AUS/RBR-Renault)
5 – Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari)
6 – Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes)
7 – Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes)
8 – Nick Heidfeld (ALE/Renault-Lotus)
9 – Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth)
10 – Sebastien Buemi (SUI/STR-Ferrari)
11 – Nico Rosberg (ALE/Mercedes)
12 – Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes)
13 – Jarno Trulli (ITA/Lotus-Renault)
14 – Heikki Kovalainen (FIN/Lotus-Renault)
15 – Jerome D’Ambrosio (BEL/MVR-Cosworth)
16 – Vitantonio Liuzzi (ITA/Hispania-Cosworth)
17 – Narain Karthikeyan (IND/Hispania-Cosworth)
18 – Pastor Maldonado (VEN/Williams-Cosworth) – a 5 voltas/acidente

Abandonos:
Vitaly Petrov (RUS/Renault-Lotus)
Jaime Alguersuari (ESP/STR-Ferrari)
Felipe Massa (BRA/Ferrari)
Michael Schumacher (ALE/Mercedes)
Timo Glock (ALE/MVR-Cosworth)

Não largou:
Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari) – acidente no treino classificatório

 

 

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